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Consertando a Alma, Consertando o Mundo

27 fev

 

Consertando a Alma,

Consertando o Mundo

O corpo é composto por diferentes órgãos e milhões de células. Cada célula é como uma forma que contém uma centelha de alma. Portanto, o corpo é uma forma física para milhões de centelhas de alma.
A quem “pertence” a forma física? Este é o meu corpo? Aquele é o seu corpo? E, se for o meu, onde é que estou? Onde é que o “eu” a quem ele pertence mora?
Quando prosseguimos nesta investigação de onde, quem, o que, por que e como em relação a “quem somos”, deparamo-nos com juma série de espelhos que retrocedem até o infinito. Nós não somos nossos nomes. Não somos nossos endereços nem nossos números de telefone. Não somos nossas identidades. Não somos bem a pessoa que observamos enquanto escovamos os dentes. Somos algo mais do que o acúmulo das experiências que tivemos desde o nosso nascimento. Na verdade, ao continuar com esta investigação, chegaremos finalmente à conclusão de que este corpo é o zelador da fonte que lhe dá luz. Nosso corpo não é nossa essência; é simplesmente matéria física.
Alma é o nome que damos ao conjunto de centelhas que dão vida a esta matéria física. Todavia, o corpo não é o “dono” da alma; a alma não pertence ao corpo, já que a alma é apenas a força vital que da existência à matéria física. Assim como cada centelha da alma de cada célula viva de nossos corpos compõe o que chamamos nossa alma, também todas as almas viventes no mundo, cumulativamente, compõem parte da alma universal. Realmente, o misticismo da tradição judaica nos ensina que a alma que nos dá vitalidade está conectada a uma alma universal sobre a qual está apoiada.
Um dos conceitos mais importantes da Cabalah nos ensina que qualquer coisa que aconteça onde quer que seja no universo reverbera por toda criação. Dessa forma, nossas vidas são influenciadas pelo que está acontecendo em toda parte; além do mais, qualquer coisa que fizermos em nossas vidas vai influenciar tudo no universo.
Talvez isso pareça um pouco pretensioso. Vemo-nos muitas vezes como partículas de poeira inconseqüentes, num universo no qual as distancias são medidas em anos-luz e o numero de estrelas conhecidas excede os limites de nossa imaginação. Este senso de limitação individual é o resultado natural de nosso processo de pensamento linear. Como vimos anteriormente, a abordagem cabalística é, no entanto, que consciência primordial é uma sequência holística. Uma vez que assumimos um sistema de referência holística, no qual todas as partes são completas e são réplicas do todo, então tudo no universo é, por definição, integralmente conectado.
Enquanto formas inferiores de consciência limitam o modo pelo qual suas vidas vão se desenrolar, a consciência humana alcança um nível totalmente novo: pode conversar intimamente com a sua fonte, e tem a qualidade de livre-arbítrio. Podemos analisar e contemplar os significados da vida e podemos nos movimentar livremente na direção que escolhermos. Dessa forma, podemos nos envolver em atividades que têm o potencial de elevar nossa consciência e a consciência dos que estão a nossa volta.
Cada vez que fazemos algo que eleva a consciência, elevamos centelhas sagradas a novos níveis. Chamamos a isso tikun há-nefesh, conserto da alma, e tikun há-olam, conserto do mundo, trazendo-o para mais perto de sua fonte. Embora inicialmente as idéias de conserto da alma e conserto do mundo pudessem parecer ações diferentes, na realidade elas não podem ser separadas; não podemos elevar centelhas que estão em nós sem elevar as centelhas do mundo, e vice-versa. E o que é ainda mais importante, de acordo com a Cabalah, o processo de expandir a consciência primordial em nós, assim como a do mundo, vem ser a razão fundamental de nossa existência. De fato, quando não nos esforçamos em elevar nossa própria consciência , e a consciência do mundo, abdicamos de nossa humanidade.
Podemos nos ajudar e também ajudar os outros de várias maneiras. O Talmud diz: “Estes são os preceitos cujos frutos uma pessoa pode usufruir neste mundo, porem seus princípios continuarão intactos para ele ou para ela, no mundo vindouro. Eles são: honrar mãe e pai, atos de bondade amorosa, chegar cedo à casa de estudos, ser hospitaleiro com as pessoas que vêm à sua casa, visitar os enfermos, proporcionar um dote para noivas pobres, acompanhar os enterros, aprofundar-se nas orações, levar paz aos seus semelhantes…”
Vale lembrar que os ensinamentos místicos da tradição judaica descrevem centenas de outras práticas espirituais para consertar almas e levantar as centelhas sagradas. Na vida moderna, aprendemos a cultivar a negatividade e os programas jornalísticos são um exemplo perfeito disso. Porem, os sábios nos ensinaram que a negatividade nos separa da humanidade e de Deus, fazendo com que nossos corações fiquem psicologicamente cobertos por uma membrana espessa. É extremamente aconselhável evitar pensamentos negativos e também evitar falar coisas negativas sobre outras pessoas. Ao contrário, a idéia é cultivar estados mentais positivos,  e podemos fazer isso de muitas maneiras: procurar diariamente ter um momento de vida com qualidade, para contemplação, meditação e oração; ter capacidade para viver afastando-se do mal, direta ou indiretamente, a qualquer forma de vida; ser moderado com nossas próprias necessidades, respeitar as necessidades dos outros e estar satisfeito com nossa situação na vida; deixar o orgulho e a inveja para trás.
Certamente, estas idéias não são novas. Como pensamentos, são nobres. Como ações, transformadoras. Quando agimos segundo essas idéias, não só tornamos nossas vidas mais harmoniosas, como também o mundo fica cada vez mais próximo da consciência messiânica.
O lado místico do Judaísmo sempre esteve focalizado no desenvolvimento de práticas espirituais que nos conduzem a estados de expansão cada vez maiores de consciência primordial. Ampliação da consciência primordial inclui ter mais cuidado com tudo que existe: pessoas, animais, plantas e toda natureza. Junto com a expansão da consciência primordial, surge uma nova forma de amor e compaixão por todos os seres. Por definição, amor consciência primordial pressupõe menor identidade com o eu, já que o senso do eu vai se dissolvendo à medida que nos fundimos à vasta interconexão com toda a criação.
Nos tempos bíblicos, o objetivo do uso das técnicas para desenvolvimento da consciência primordial era a profecia. Nos tempos do Talmud, a meta era obter acesso à carruagem mística, para poder habitar as dimensões mais elevadas de consciência. Nos tempos hassídicos , o alvo era anular o sendo do eu para fundir-se com Deus.
Em nossos tempos, o objetivo de elevar centelhas sagradas não é nada mais do que a obtenção de consciência messiânica para toda a humanidade. Nesse contexto, o individuo não pode ser separado do todo; a iluminação coletiva da humanidade é evidentemente tão relevante quanto qualquer foco na realização individual. Dessa forma, as práticas que vamos examinar não somente realçam o desenvolvimento pessoal, como levam a totalidade da criação cada vez mais perto do objetivo de crescimento da consciência primordial.
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