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A Sua Oração Liberta Almas

02 nov
O Kadish é uma das preces mais conhecidas da liturgia judaica e suas palavras de abertura são bem familiares. Esta prece é entoada em funerais, em recordação do holocausto,  e em outras ocasiões tristes.
Quando algum parente próximo morre os judeus rezam diariamente o Kadish dos enlutados por 11 meses, com base na crença de que a alma leva 12 meses para passar de um nível a outro. O Kadish é considerado um meio para ajudar o ente querido a fazer sua transição para dimensões mais elevadas. O 12 mês é omitido, poios, se supõe que o falecido já tenha adquirido suficiente mérito para fazer a transição por conta própria. Rezar o Kadish no ultimo mês pode significar  que a pessoa falecida não era suficientemente virtuosa, e isso nao seria apropriada. 
Aqui vai uma pequena  história que ilustra muito bem esse grande ato de amor.
Há muito tempo quando uma pessoa com seu aluguel atrasado o proprietário tinha o direito de fazer justiça com as próprias mãos. Ele podia retirar a mobília toda e vende-la; ele podia colocar os devedores na cadeia; ele até podia, que Deus não permita, tirar as pessoas de casa e vende-las como escravos.    
O fato a seguir ocorreu a 150 anos, na casa de um pobre homem, que era casado com Feigale, e que devia muitos meses de aluguel. Certo dia, depois que  Feigale tinha saído para ir ao mercado, o proprietário apareceu com a policia e levou embora o marido e as oito crianças. Quando Feigale voltou do mercado, os vizinhos lhe contaram o que tinha acontecido.
Então, a santa mulher foi procurar o proprietário a fim de saber o paradeiro do seu marido e seus filhos. O homem disse que tinha intenção de vende-los como escravos, para conseguir o dinheiro dos alugueis atrasados. Ela suplicou; ela implorou. Ele pensou sobre o assunto que talvez pudesse obter até o dobro do que conseguiria no mercado de escravos. Seria uma soma exorbitante, mas ele não tinha nada a perder.
Assim, ele finalmente concordou em resgatá-los. Ele pediu 100 rublos pelos alugueis atrasados e 9.700 rublos por seu trabalho. Ele disse à mulher que o dinheiro extra serviria para subornar a policia e as outras autoridades, a fim de libertar seu marido e seus 8 filhos.
A mulher olhou fixamente para o proprietário, mal acreditando no que tinha acabado de ouvir. 10.000 rublos!!! Já seria muito difícil arrumar 100 rublos. Mas 10.000 rublos era uma fortuna além de qualquer possibilidade.
Ela saiu da casa do proprietário andando vagarosamente pelo caminho de terra que a levava à sua própria casa. O que ela poderia fazer? Ela botou a mão nos bolsos e encontrou 3 rublos. Isso era tudo o que ela tinha. 3 rublos. Não havia nada mais para vender. Tudo o que tinha, já tinha  sido tirado da sua casa a fim de alimentar as crianças. Parecia que tudo estava perdido.
Com este pensamento a mulher continuou a andar e, de repente, um pensamento lhe veio à cabeça. O pensamento disse a ela: Feigale, quando seu marido morrer, quem vai rezar o Kadish para ele? Quem vai saber quando ele morreu?
Esse pensamento lhe aterrorizou. Ela encontrou um pobre judeu no caminho, deu-lhe 1 rublo e lhe disse: “por favor, diga o Kadish dos enlutados por meu marido.” Ela deu o nome de seu marido ao mendigo e foi embora.
Enquanto estava andando ele repetiu, outro pensamento veio a sua mente e ele lhe disse:  Feigale, e  o que acontece comas pessoas que morrem e que ninguém diz Kadish por elas?
Então Feigale correu de volta para o mendigo, e deu-lhe 1 rublo, dizendo: Caro senhor, diga Kadish por todas as almas por quem jamais for dito. Por favor, diga Kadish a fim de ajudar sua passagem pelas dimensões celestes.
Feigale saiu de perto do mendigo profundamente comovida. Mas, assim que começou a se afastar, ainda outro pensamento lhe veio à mente.
Ela voltou para o lugar onde o pobre mendigo estava sentado, com os 2 rublos em suas mãos, e lhe deu o terceiro rublo, o último que tinha, a última coisa que possuía, dizendo: caro senhor, quando disser o Kadish por todas essas almas perdidas, ponha realmente, mas realmente mesmo, todo o seu coração em todas as suas orações; não retenha nada de forma alguma.
Nas horas que seguiram, a mulher permaneceu sentada no meio de um campo, não muito longe do mendigo. Quando o sol se pôs, ela ouviu o mendigo rezando. Ele rezava com o coração partido, pedindo ajuda com todas as suas forças e com toda a sua dor. Ela sentia o seu rosto encharcado pelas lágrimas,  enquanto era levada para regiões celestiais numa carruagem feita de chamas. As orações do mendigo romperam os portões celestiais e soltaram um rio de almas que esperavam há muito pelo resgate. E o mendigo terminou suas orações.
Ela então começou a andar em direção à sua casa,  e seus passos de alguma forma pareciam mais leves. E enquanto estava em seu caminho, uma linda carruagem puxada por quatro cavalos apareceu. Isso era pouco comum, ela nunca vira uma carruagem assim antes. A carruagem parou perto dela e um homem bem vestido, que estava dentro dela, perguntou-lhe o caminho. Então o estranho fez uma coisa menos comum: ofereceu uma carona à Feigale. Ela não sabia o que fazer. Ela nunca tinha entrado numa carruagem como aquela. A principio disse que não, mas ele insistiu. Como ela sentiu que o homem era sincero, acabou aceitando. Afinal tinha sido um dia muito longo, e logo os dois começaram a conversar.
O estranho lhe fez muitas perguntas. Aos poucos, conseguiu saber toda a historia sobre seu marido, seus filhos, o proprietário, e os 10.000 rublos. Enquanto ajudava a mulher a soltar da carruagem, ele fez uma coisa incrível: tirou do bolso seu talão de cheques e preencheu um cheque com a soma de 10.000 rublos. Ela ficou espantada. No dia seguinte, ela correu para o banco. Quando ela entregou o cheque para o funcionário do banco no caixa, ele olhou para ela de modo estranho e lhe disse para esperar um pouco. Ela ficou em pânico. Será que o cheque era de verdade ?
Quem sabe o estranho tinha feito uma brincadeira cruel, e não tinha dinheiro algum no banco. Ela ficou esperando, cada vez mais nervosa enquanto o tempo passava.
O funcionário voltou com o seu supervisor, que olhou para ela debaixo para cima, então o supervisor levou a pobre mulher pelo braço e a levou ao escritório do presidente do banco. O escritório era grande, e o homem estava sentado atrás de uma escrivaninha olhou para ela com uma expressão zangada.
Como foi que obteve este cheque? Ele perguntou. Então ela lhe contou a história e também a história de seu marido e filhos. O homem a pontou para dezenas de retratos pendurados nas parede da sala e perguntou-lhe: você reconhece algum desses retratos?
Feigale olhou e, na mesma hora reconheceu no retrato grande, por trás da escrivaninha o homem que tinha estado na carruagem. Assim que ela disse isso, o presidente empalideceu. A verdade é que o cheque que ela tinha em suas mãos estava assinado por seu pai. E o retrato que estava por trás dele era o retrato de seu pai. Seu pai falecera havia cinco anos, e o presidente do banco não recitou o Kadish por seu pai.
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